domingo, 2 de abril de 2017

La Pasta Gialla ( Pátio Batel) - E a Memória Culinária - REVIEW N°9




* Imagem Meramente Ilustrativa.


Se existe uma temática que fascina o Piá é o estudo científico bem como filosófico acerca da memória. Existem uma série de comparações e metáforas as quais eu poderia citar mas, o que importa neste momento é o simples fato de que em regra, possuímos lembranças marcantes eternas, outras descartáveis e esquecíveis e ainda outras em que a princípio se confundem entre o real e imaginário. Numa pesquisa recente, um grupo de pessoas visualizou 10 fotos, cada uma de sua relativa infância, sendo que 9 delas eram memórias reais e apenas 1 delas era manipulada. O resultado é que ao primeiro olhar na fotografia falsa 80% das pessoas afirmaram que a memória falsa era real. Para os outros 20% que tiveram dúvida, numa segunda observação todos afirmaram categoricamente que não só aquela imagem era real bem como afirmaram que aquele dia havia sido fantástico ao lado de suas famílias. 

E assim se prova que a memória é dinâmica, está em constante transformação e eventualmente nos iludirá em um ou outro momento. Talvez uma memória triste um dia se torne singela, outra alegre em nostálgica, talvez até você alimente algo em sua memória que de fato nunca aconteceu e por algum motivo você desejou intensamente.

E na culinária esta é uma verdade incontestável, a memória faz parte de nossas experiências. Quem não se lembra de um restaurante fabuloso que você nunca mais visitou? Quem nunca se decepcionou depois de re-experimentar um prato que você lembrava ser magnífico? Quem nunca porventura, esqueceu do que havia provado na última vez que esteve naquele local? 

Outro dia me deparei com o La Pasta Gialla em Curitiba que é uma rede de comida italiana à qual eu conheci em São Paulo em meados da década passada e uma questão que tem me incomodado é o fato de que não me recordo se já estive no restaurante ou não. Lembro da logomarca, de onde se localizava e que eu passava frenquentemente em frente do estabelecimento, mas não me recordo da comida ou se de fato fui até lá ou não. Talvez o Piá não seja mas tão piá e isto seja um indício claro de Alzheimer precoce ou foi apenas um processo natural de exclusão de uma memória indesejável, não sei. 

Resolvi levar a Guria Boa de Garfo já que ela sempre gostou de lugares italianos e eu pra falar bem a verdade costumo evitar ao máximo restaurantes que se limitem apenas à carnes e massas, mas como havia um cardápio especial para o Festival Bom Gourmet achei uma ótima oportunidade. 

De entrada uma surpresa positiva, o carpaccio de beterraba com queijo de cabra e amêndoas: um prato diferenciado moderno e muito agradável e foi o ponto alto da visita. Experimentei também a polenta mole com Ragu de Calabresa que é apenas regular. Nos principais fiquei com o Mignon com Fettuccine de Legumes, e a carne realmente estava saborosa, exatamente no ponto pedido e muito macia. Também experimentamos o peixe ao molho de manjericão e risoto de limão siciliano e este confesso está longe de ser um bom prato, o molho estava mais para um pesto sem personalidade e o risoto decepcionou em sabor e cremosidade. 

Nas sobremesas verifiquei um problema sério já ao sentar no restaurante. Notei que a mesa do lado havia pedido a Panna Cota de Açafrão com Menta, e que a sobremesa voltou para a cozinha praticamente intacta. Logo, resolvi experimentar e sinceramente não lembro de ter comido uma sobremesa tão esquisita. Acho que os sabores não combinavam mas nem um pouco,  mas como sou adepto à correr riscos na cozinha palmas para o Chef apesar de achar pouca gente vá gostar desta sobremesa porque olha, é esquisita. A outra sobremesa foi um Creme de Manga com Praline de Castanha e esta eu posso dizer que estava horrível, parecia uma vitamina de manga, o que me faz concluir que talvez o La Pasta Gialla não seja muito recomendado para quem gosta do final do cardápio. O atendimento foi muito bom no geral, mesmo com a casa lotada, ficamos pouco tempo na espera e tudo saiu da cozinha rápido e conforme o pedido. 

Resumindo, o La Pasta Gialla não é um restaurante memorável, talvez você o guardará com carinho em sua memória, talvez não. Tampouco será uma experiência desagradável à ponto de querer esquecê-la rapidamente. O fato é que é um restaurante que pode facilmente cair no esquecimento mas tenho uma intuição que a sobremesa de Açafrão vai ficar na minha memória por um bom tempo. Como esta memória será no futuro eis a questão.

Nota: 7,9/10

Custo Benefício: Preço razoável dentro dos padrões de comida italiana. Não diria que é caro, quanto menos barato. Fui na unidade do shopping Pátio Batel e os cardápios dos concorrentes são muito mais caros porém muito mais elaborados também. Minha recomendação é visitá-lo quando estiver de saco cheio das mesmas redes de fast-food que encontramos nos shopping diariamente, sem dúvidas sua refeição será muito mais agradável.





quarta-feira, 22 de março de 2017

Swadisht Cozinha Indiana - Indiano Made in Paraguai? - REVIEW N°8


O Paraguai eternamente persistirá com a fama do país das falsificações fajutas e me permito neste momento fazer uma leve reflexão sobre a obviedade deste clichê.  É nítido que, em um passeio rápido por Ciudad Del Este, facilmente você encontrará centenas, milhares de falsificações grosseiras mas ao mesmo passo para o consumidor um pouco mais lúcido e racional, certamente é possível encontrar nos shoppings e lojas de belas fachadas muitos produtos com qualidade e valores apropriados que inquestionavelmente originais transformam a cidade num paraíso para as compras. 


Na culinária a recíproca é verdadeira para ambos os lados. Já virou moda de uns tempos para cá, e eu me permito arriscar que foi no fim dos anos 90, que a culinária étnica tomou conta de um grande nicho no mercado gastronômico brasileiro com a chegada das "culinárias japonesa e chinesa"  em nosso dia-a-dia. Não que eu me considere um expert em cozinha asiática mas o fato é que muito pouco, mas muito pouco mesmo destas culturas gastronômicas são encontradas aqui no Brasil nos famosos rodízios de Sushis ou nos Ligue-Ligue de comidas chinesas.



O processo de conhecer o novo se intensificou e a tendência é cada vez maior na busca por novos horizontes culinários tanto por parte dos proprietários quanto do público em si, e hoje em Curitiba nos deparamos facilmente com restaurantes Gregos, Árabes, Tailandeses, Ucranianos, Australianos, Sérvios, Libaneses, Turcos, Peruanos, Irlandeses e por aí vai; alguns mantém fielmente as características do país de origem, outros preferem "adaptar" temperos e sabores ao nosso paladar em geral assassinando por completo toda uma cultura gastronômica (ou duas pensando na brasileira) e alguns raros e caríssimos casos costumam se destacar nos conceitos de Fusion.



E aqui na terra roxa dos Pinhais não poderia faltar um  exemplar de comida da Índia,  no caso o Swadisht Cozinha Indiana que têm um nome difícil de falar e mais difícil ainda de escrever. E você que ainda não conhece o Swadisht talvez tome um baita susto, no sentido mais positivo da palavra, com o ambiente. O ambiente é lindo, maravilhoso, fabuloso, sensacional. Exagerado? Não. É sério, é de longe o restaurante mais bonito que fui na vida (e olha que já fui em muito restaurante, a barriga saliente não engana). Se existe um lugar indiano bonito no mundo é o Swadisht em primeiro lugar e o Taj Mahal em segundo. Do lado de fora tem cachoeira, entrada com pé direito duplo toda espelhada, na parte interna tem aquelas mesas/tendas que são um luxo só e toda a decoração é lindíssima, realmente um espetáculo.

Todavia é impossível comer o ambiente e quando chegamos na comida temos um problema sério com o Swadisht e o primeiro passa pelo fator que citei acima. Está distante de se tratar de comida indiana,  ainda que os nomes dos pratos indiquem o contrário, falta a potência dos temperos exóticos e seus aromas tão distintos provenientes da mescla de especiarias, pimenta e especialmente do curry do país asiático.



A comida do Swadisht não é ruim, longe disto, os pratos são muito bem apresentados, são bem feitos e você não encontrará uma carne fora do ponto ou com sabor desagradável mas infelizmente não tem graça nenhuma, e posso dizer isto pois já fui lá mais de uma vez, sem tempero e em geral sem o sabor marcante da culinária deste país asiático. E o motivo me parece óbvio, a tal da "adaptação" ao paladar da maioria, daquele público que acha que pimenta e especiarias são agressivas e que infelizmente transforma o Swadisht num local pobre em termos de personalidade.  Um pena.



Me pego novamente no tema da falsificação e lembro que no Paraguai a beleza das fachadas é um indicativo de originalidade, já no caso do Swadisht a bela fachada me deu a ligeira impressão que o produto que consumiria seria de fato original. Talvez o Swadisht não seja um restaurante Indiano falsificado, mas posso tratá-lo sim como uma boa imitação que lembra em muitos aspectos a culinária indiana e em outros fica devendo. Mas espero, ansiosamente, retornar ao Swadisht e constatar que eu estou errado, que a comida de lá é potente, com personalidade e com os traços exóticos que me fizeram um apaixonado por ela (bem longe do Brasil diga-se de passagem). O grande destaque da noite ficou por conta da sobremesa o Gulab Jamin e Kulfi que está no cardápio do Festival Bom Gourmet e essa sim é surpreendente e condiz com o que eu esperava.

Nota: 7,2/10

Custo-Benefício: Independentemente de tudo que critiquei sugiro que você conheça o Swadisht ao menos uma vez na vida. O ambiente justifica qualquer visita e a comida está longe de ser ruim. Sugiro aguardar por datas especiais e procurar o Swadisht para jantares românticos. Pelo ambiente e proposta creio que seja um restaurante com preço razoável, se fosse mais caro não me surpreenderia.



sábado, 21 de janeiro de 2017

L'Entrecôte de Paris - Glamour no Filé Com Fritas? - REVIEW N°7



Paris definitivamente ainda deve ser o destino mais procurado para turismo no mundo, ou pelo menos é o destino preferido para casais apaixonados buscando clima e aura romântica, bons restaurantes, ruas charmosas e entretenimento cultural e artístico.

Paris é linda e glamorosa mas não se engane, nem tudo que reluz é ouro em Paris. De fato as ruas são charmosas, a Torre Eiffel é maravilhosa, o passeio pela Champs-Élysées é chique, você pode conhecer o Louvre e os famosos jardins de Tuleiries por exemplo ou andar pelo bairro artístico de Montmartre , todavia o fato é que provavelmente você também será muito mal tratado em Paris por praticamente todo mundo em qualquer lugar. Num restaurante então nem se fala, os garçons não fazem a mínima questão de te atender mas claro querem ganhar a gorjeta. É incrível como nos consideramos tão sub-desenvolvidos mas a educação do povo brasileiro me parece infinitamente superior aos supostamente hiper-desenvolvidos europeus. 

Em Curitiba, não faz muito tempo chegou o L'Entrecôte de Paris, com o mesmo suposto glamour que acompanha a fama da cidade. De fato, muito embora não tenha muito a ver com os cafés e bistrôs charmosos de Paris , o restaurante é bem bonito especialmente a fachada, já que no interior é um restaurante acanhado e com visual simples mas convidativo.

Típico Café em Paris.


Não você não será mal recebido no L'Entrecotê de Paris, pelo contrário, não tenho o que reclamar em termos de atendimento. Fomos muito bem recebidos eu e a Sra.Guria Boa de Garfo e atendidos com cordialidade, o prato veio rápido e não houve nenhuma demora de espera. Muito embora seja bonito e com bom atendimento o que realmente interessa em um restaurante ainda reside na qualidade da comida e aqui a coisa degringola.

O restaurante serve um prato único que é Entrecôte com molho e fritas. O conceito já não entra na minha cabeça, talvez eu seja um ignorante iletrado mas um restaurante de um prato só não tem cabimento e nem lógica, afinal de contas porque motivo eu como consumidor retornaria à tal restaurante?. A resposta é simples, o prato é sensacional , único, fantástico.

Filé Com Fritas com Molho Comum *
Não é nem de perto o caso aqui. O prato é o famoso Fillet com Fritas que você encontra em qualquer restaurante comercial, especialmente nas lanchonetes do Rio e São Paulo mas por algum motivo o restaurante opta por chamar de uma forma mais glamorosa para não ficar feio mesmo. Existe uma lenda urbana em cima deste molho, que leva mais de 30 horas de preparo e são usados mais de 20 ingredientes mas o fato é que perceptível mesmo são a mostarda escura, alho-poró, especiarias e algo picante que pode ser gengibre. O molho é extramente enjoativo mas o pior de tudo são as fritas "à vontade". Parece piada, mas as fritas servidas são do nível de fritas congeladas em saco que você encontra em qualquer supermercado chinfrim, de fato elas são à vontade mas, desconfio que alguém coma mais do que a quantidade que já vem originalmente no prato. Cheguei à conclusão que minha nomenclatura para este prato só pode ser Filé com molho de mostarda Escura e Batata frita Mccain. 

Pois é, nem tudo tudo que é dotado glamour corresponderá às suas expectativas. Sugiro que um dia se possível conheça Paris, viaje, se divirta, conheça novos lugares e tire suas próprias conclusões. Viajar aumenta muito seu entendimento de vida seja ela uma experiência agradável ou não. Já com relação ao L'Entrecôte de Paris sugiro que você nem passe por perto, já que de experiências desagradáveis, nossa vida costuma estar abarrotada.

Nota: 4,0/10

Custo-Benefício: Não preciso nem dizer que o custo-beneficio do L'Entrecotê é patético. O prato não é uma porcaria quanto menos bom ou minimamente interessante conceitualmente, mas o custo não justifica. Vá até uma lanchonete ou um comercial e peça um filé com fritas por no máximo R$ 20,00 e tenho certeza que o resultado será o mesmo. Quer conhecer o L'Entrecôte de qualquer forma? Aguarde um festival com menu fechado que ao menos sairá mais em conta.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Old West Restaurant e uma Singela Homenagem ao Cinema Americano - REVIEW N°6

*Imagens: OLD WEST RESTAURANT


Muito embora já esteja completamente esquecido, o gênero de filmes de faroeste é ainda considerado por muitos críticos e especialistas em cinema como o gênero cinematográfico por excelência. O cinema americano nasceu e se desenvolveu através dele, um gênero que se transformou ao longo dos anos mas que praticamente sucumbiu à reformulação sofrida nos anos 70 em Hollywood. Hoje vivemos de exemplares esporádicos e sazonais como o vencedor do Oscar Onde os Fracos Não Tem Vez e Bravura Indômita dos irmãos Cohen ou dos recentes trabalhos de Tarantino em Django Livre e Os Oito Odiados.

Um pecado especialmente para mim que aprendi a gostar deste gênero tão comumente ligado à falsa ideia de que o Western se resume à troca de tiros desenfreada e personagens "fodalhões" destemidos altamente rápidos no gatilho. Talvez o que faça o Faroeste ser tão encantador são exatamente as grandes discussões acerca de justiça, moralidade e legalidade da ação de seus personagens, além é claro da aridez de seus cenários barrocos e vespertinos. Só para citar alguns exemplos experimente assistir: Consciências Mortas de 1943 com o gigante Henry Fonda, No Tempo Das Diligências e O Homem Que Matou o Facínora ambos do maior diretor do gênero John Ford  e ainda a espetacular Trilogia dos Dólares do italiano Sergio Leone com a presença de Clint Eastwood e por fim, o maior épico de todos os tempos Era Uma Vez No Oeste também do Leone com atuações de Claudia Cardinale e este sim "fodalhaço" Charles Bronson. 


Hall De Entrada
Hoje em Curitiba talvez o único lugar que me trouxe a boa nostalgia da época do Velho Oeste e deste cinema fantástico é o Old West Restaurant no Jardim Botânico e não apenas pelo seu nome. De início de conversa, ao entrar na casa e passar pela portinhola típica dos bares da época, lá está em sua frente o bar com um baita retrato de John Wayne. Para quem nunca ouviu falar nele, saiba que John Wayne foi o maior ator de todos os tempos do Western, o xerifão, o cara que mandava no negócio todo. Confesso, que tive uma vontade quase incontrolável de acender um charuto e dar um soco na mesa do bar e pedir uma dose de Whisky só para me sentir um pouquinho mais macho, mas consegui me conter com louvor. 


O Old West é um restaurante pequeno mas muito bem decorado ao melhor estilo texano, é possível fazer sua refeição no bar inclusive e o som ambiente é sensacional para quem gosta de música country e folk. A recepção de todos os funcionários foi surpreendente e posso dizer sem sombras de dúvidas que é um dos melhores atendimentos que você pode receber em nossa cidade. Toda a equipe do Old West é muito bem preparada, os garçons são muito atenciosos e sempre sorridentes. Vou deixar aqui meus parabéns a eles. Nota:10.

Apesar do Whisky ser a bebida preferida do Western, no Old West Restaurant o que impressiona mesmo é a carta de cervejas. Não à toa o restaurante volta e meia está indicado à melhor cardápio e seleção de cervejas em diversos festivais não só pelo cardápio mas pelo cuidado tanto na apresentação da cerveja e na temperatura perfeita. Minha sugestão fica por conta da Belga Afligem Dubbel que é uma das melhores e mais cremosas e encorpadas cervejas Pilsen que já tomei e talvez para o público feminino recomendo a Inglesa Wells Banana Bread Beer que é uma cerveja fantástica também mas pelo seu teor um pouco mais adocicado vai agradar muito às mulheres. A Sra. Guria Boa De Garfo gostou bastante pelo menos.  

Na hora de comer, o legal do Old West é que você pode optar pelas carnes ou ir para o menu Mexicano. Gostei bastante do Trio Mexicano, muito pela qualidade da Barbacoa mas especialmente pelas tortilhas artesanais preparadas na hora. Já nas carnes tenho certeza que qualquer prato que você pedir será muito bem feito. Meu destaque vai para o Western Brunch Steak que talvez para o nosso paladar seja uma combinação um tanto ousada de Filet sem molho acompanhando de ovos e bacon com uma batata assada. Sim, se você pensou no café da manhã americano é exatamente esta a proposta e o que surpreende é exatamente o fato de ser uma combinação simples, rústica, tradicional mas ao mesmo tempo muito original e criativa, um prato único e que você só encontrará realmente no Old West.

* Western Brunch Steak.


De sobremesa pedi o Old West Dessert, Maça ao creme com nozes, passas e ameixas, um prato muito agradável e uma boa sugestão para quem como eu, gosta de sobremesas mais equilibradas no quesito doçura.

Como nos filmes de faroeste, sempre quando penso em culinária, o principal fator que levo em conta para a avaliação de um restaurante está ligado à questão da justiça. O restaurante entrega aquilo que estou pagando? O Old West não se propõe a ser revolucionário, nem inovador, mas se propõe a oferecer pratos de carne clássicos de altíssima qualidade com preço razoável e por isso o Old West é realmente excelente. Tenho certeza que você concordará comigo quando digo que é sem dúvidas um dos melhores de Curitiba no segmento de carnes À La Carte.

Nota: 9,2/10. 

Custo-Benefício: O Old West trabalha com um preço médio, os pratos individuais custam na faixa dos R$ 50,00 a R$ 60,00 e para 2 pessoas abaixo dos R$ 100,00. Os pratos mexicanos saem abaixo dos R$ 50,00 e são muito vantajosos realmente. Sugestão: Indico o Old West para quem procura por carne de qualidade à um preço bem convidativo e com um atendimento excepcional. Toda segunda-feira tem promoção e os pratos chegam a ter  até 30% de desconto. Então corre e curta um pouco do mundo mítico do Velho Oeste.



Serviço:  

Old West Restaurant
Rua São Januário, 248 - Jardim Botânico
(41) 3262-9794




segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Tiwanaku e a Bolívia de "El Diablo Etcheverry" - Review n° 5

* Imagens cedidas pelo Tiwanaku.


Nestas últimas duas semanas muito dolorosas para todos os brasileiros amantes ou não de futebol, após a tragédia da queda do avião da Chapecoense, é difícil associar a imagem da Bolívia à qualquer outra coisa que não remeta ao acidente que culminou com um dos maiores baques da população brasileira e quiçá mundial dos últimos tempos.

Mas neste momento vou deixar de lado a minha imensa tristeza e comoção com o acidente e tentar lembrar o pouco, muito pouco que minha confessa ignorância me permite associar à este país vizinho do Brasil que em geral é lembrada pelas altas altitudes, o governo conturbado de Evo Morales e a pobreza extrema de sua população.

Infelizmente minha lembrança mais marcante da Bolívia também é relacionada ao futebol. Para quem não sabe, houve um tempo em que a seleção boliviana de futebol não costumava ser o saco de pancadas já costumeiro das últimas 4 ou 5 últimas eliminatórias. Em 1993, o time boliviano era extremamente temido e chegou a vencer o Brasil em La Paz, o que parecia ser inimaginável na época e foi o marco inicial para a maior equipe de futebol da história deste país que disputaria sua única Copa em 1994. E o grande cara daquela seleção era "El Diablo" Etcheverry, o camisa 10, habilidoso, muito raçudo mas que era mais conhecido mesmo pela sua cabeleira mulletizada ao melhor estilo Chitãozinho e Xoxoró.

A cabeleira de Etcheverry fazia muito sucesso especialmente entre as mulheres na década de 1990.

Noves fora esta recordação futebolística e as anteriores que fiz, a última coisa que me lembraria a Bolívia seria de sua culinária. Bem pudera, jamais tive a chance de experimentar algum prato (fora as empanadas de feira) ou conhecer algum local especializado em comida boliviana, em Curitiba ou qualquer outro lugar do Brasil. É não é que agora isto é possível, no Tiwanaku no Alto da XV.

Não que o Tiwanaku só sirva comida boliviana, não, seu conceito abrange aspectos da cultura inca que engloba também bastante do Peru e da Venezuela, mas seu nome é inspirado no sítio arqueológico localizado próximo ao lago Titicaca.  

O Tiwanaku é um bar/restaurante cheio de referências da cultura inca em seu ambiente com esculturas, fotos e as mais diversas obras de artesanato local. O grande destaque é seu cardápio de bebidas, diversos chopes com a vantagem de serem servidos em bela tulipa de 550 ml, coisa bastante rara nos bares curitibanos pela quantidade, ótimos drinks especialmente à base de rum e pisco à preços bem acessíveis.

Vale a pena experimentar o chope servido no Tiwanaku. Na boa, eu sugiro todos eles se você for um bebum como eu.

O cardápio de petiscos é incrivelmente barato. Comi alguns pratos típicos como a empanada de carne tradicional,  depois o ceviche que era muito saboroso mas peca pelo excesso de acidez do limão, creio que se for melhor equilibrado será um dos melhores ceviches da cidade. Depois passei pelo bolo de carne com 2 queijos e especiarias e por fim a Cachapa de Doce de Leite que é um prato típico venezuelano, uma espécie de massa de panqueca com recheio tanto doce como salgada também e este foi o petisco mais interessante da noite. 




Pois bem, eis que surge uma boa opção para se curtir um pouco de uma cultura e etnia tão diferente e atípica da nossa apesar da proximidade geográfica, mas o mais importante com uma comida agradável, excelente atendimento e um ótimo chope em Curitiba. Eu posso dizer que encontrei um bom restaurante boliviano na cidade. Aguardo ansioso para encontrar também bom futebol na seleção boliviana nos próximos anos mas confesso que isto já me parece um pouco improvável de acontecer. 

Nota: 7,9/10. 


Custo-Benefício: O Tiwanaku é bem barato para quem gosta de petiscar ou para quem gosta de um boa bebida também. Os petiscos e hambúrgueres variam de R$ 7,50 à R$ 25,00. Já as cervejas saem a partir de R$ 10,00 por um copo de 550 ml que é um preço bem convidativo. Sugestão: Fique atento à pagina do Tiwanaku no Facebook afinal de contas eles gostam mesmo é de fazer promoção. Já eu, gosto de mesmo é de aproveitá-las.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Do Peruano Café e Bistrô - Um Restaurante do Peru! - Review n° 4

Imagem cedidas por Do Peruano Café e Bistrô


Você provavelmente já ouviu esta frase muitas vezes na vida: " Não vá ao mercado com fome". Muitos se apegam ao mito de que com fome, sua tendência à gastos desnecessários aumenta, os desejos se afloram e acaba-se gastando exorbitâncias em produtos supérfluos. 

Minha primeira experiência com esta frase ainda reside nos confins distantes da minha infância. Naquela época ir ao mercado passava longe de ser uma experiência rotineira, pelo contrário, estava mais para um evento. Me refiro aos dias de alta inflação no início da década de 90 em que a excursão mensal ao mercado era automaticamente programada no dia do pagamento salarial, já que no outro dia era provável que os mesmos produtos custassem absurdamente mais caro.

A primeira coisa que se fazia antes de sair de casa, antes mesmo de se arrumar, era a refeição. Meu discernimento na época não me permite dizer se minha família era pobre ou não, mas o fato é que minha mãe costumava cozinhar as guloseimas que eu mais gostava exatamente neste dia, já se prevenindo de sustos no momento de enfrentar a fila do caixa.

Mesmo com este cenário tendo mudado bastante,  a velha máxima do "Não vá ao mercado com fome" se mantém atual e eu diria necessária em tempos de crise. Todavia, hoje me deparei com uma restaurante que talvez consiga derrubar este mito. Estou falando do restaurante Do Peruano, um pequeno mas bem aconchegante local que fica no subsolo do Muffato da Victor Ferreira do Amaral. 

O Do Peruano, comandado pelo chef peruano Fernando e pela chef brasileira Ilza, tem uma proposta simples mas que me agrada bastante, traz um pedacinho da culinária peruana, com vários traços da culinária brasileira e o melhor de tudo, à preços bem acessíveis, até porque quando se fala em cozinha étnica não é tão comum se deparar com preços justos.


Para começar sugiro o Pisco Sour, que salvo algum engano da minha parte, é a bebida mais famosa do Peru, traçando um comparativo com o Brasil seria a nossa caipirinha, um drinque quase obrigatório em muitos restaurantes de Lima e Cuzco e que na minha opinião é até mais agradável e leve que a caipirinha.

De entrada o Cebiche de Peixe é sempre bem vindo, e na minha primeira visita ao Do Peruano foi o meu prato preferido, mas hoje resolvi ir para uma outra linha. Optei pelo Lomo Saltado, que  são tiras de carne refogada com tomate, cebola e batatas, um prato bem comum nos restaurantes peruanos. Já a Guria Boa De Garfo ficou com um Talharim Verde com Bife Apanado de Quinoa (aliás a quinoa é muito comum também na culinária andina). Os dois pratos muito agradáveis, mas o meu destaque ficou com o bife apanado de quinoa, muito bem temperado e a quinoa reserva um toque especial à este prato.






Pois bem, eis que surge um restaurante para derrubar um mito que me acompanhou durante muito tempo de minha vida. Sim, é possível ir ao mercado com fome, com muita fome inclusive e gastar muito pouco. Simples basta fazer um pit-stop no Do Peruano e depois seguir em direção às suas compras sem medo. Posso inclusive, tranquilamente me apropriar de outra frase do passado e dizer que o Do Peruano é um restaurante do Peru!


Nota: 8,6 /10

Custo Benefício: O Do Peruano é baratíssimo. Todos os restaurantes peruanos que visitei tanto no Brasil ou mesmo no Peru eram caríssimos. Um prato Do Peruano sai na faixa de R$ 30,00 Sugestão: o restaurante oferece aos sábados e eventualmente nos domingos um Menu Degustação com 5 pratos e com preço excelente. 

O Do Peruano está inaugurando uma segunda unidade na Av. Marechal Humberto Castelo Branco, 675 no Cristo Rei. Em breve voltarei ao Do Peruano para conferir a nova unidade. 







segunda-feira, 7 de novembro de 2016

BaraQuias, o Habibs e o Funk Ostentação - Review n° 3

*Imagens cedidas pelo Restaurante BaraQuias.

Confesso que nunca fui muito adepto à qualquer tipo de modismos e tendências, pelo contrário, costumo me apegar ao mundo underground em vários níveis, sejam eles artísticos e obviamente os culinários.

Um dos movimentos musicais que mais me incomodam atualmente é o funk ostentação, que só pela nomenclatura do sub-gênero já me causa ânsia. Parece que esta rapaziada dos dias modernos esqueceu que os movimentos musicais como o Funk, o Rap e o Hippie-Hop surgiram como instrumentos de contestação e crítica tanto social, econômica como racial e que um dia foram relevantes e causavam impacto. Hoje se adotou uma proposta muito mais ordinária e supérflua, a valorização da materialidade e do sucesso, dos carros caros e das festinhas, enfim é a valorização do inútil.

Houve uma época que, em qualquer lugar do Brasil, surgiu uma rede de fast-food que causou muito impacto na sua chegada e logo entrou para esta onda de modismo a qual me refiro, estou falando do Habibs. A rede foi sucesso instantâneo no fim da década de 90 e pelo que me recordo era difícil conseguir um lugar para sentar na única loja da rede que até hoje existe na Victor Ferreira do Amaral.

Para falar bem a verdade nunca fui fã do Habibs (imagino que ninguém seja fã) mas eventualmente fazia minhas refeições por lá e sinceramente a rede estragou um pouco minha visão sobre culinária árabe. Isto porque, convenhamos, o nível de qualidade é fraco e o grande foco da marca são os preços acessíveis, o que é louvável. Mas mesmo outras redes menores que surgiram à época não traziam nada de interessante, eram a reciclagem do modismo, representavam o fajuto do fajuto.

Outro dia, me deparei novamente com uma rede de cozinha Árabe (menor é claro), o restaurante que conta com 3 unidades em Curitiba, o BaraQuias. Confesso que meu preconceito estabelecido me fez adiar a visita à este restaurante que fica um pouco escondido na praça gourmet do shopping Barigui, mas como sou pró e favorável à derrubar meus próprios preconceitos tolos, chegou o momento do teste.


*Imagens cedidas pelo Restaurante BaraQuias
E como de costume, meus paradigmas foram novamente quebrados. Que belíssimo restaurante é o BaraQuias. Possui um cardápio bastante completo e revigorante. As tradicionais esfihas estão lá sim, mas tenho certeza que o cardápio te surpreenderá positivamente. Pedi de entrada um Kibe com Hortelã e Queijo coberto com nozes e olha que Kibe espetacular, sinceramente não me recordo de ter provado algum tão delicioso como o do BaraQuias.

Nos pratos principais arriscamos, eu e Sra. Guria Boa de Garfo, em duas áreas distintas, fui para o Mignon Azait com arroz de açafrão, fios de legume na manteiga e cobertura de pistache e nozes.  Um prato muito bem feito, bem apresentado e saboroso. A Sra. Guria Boa de Garfo ficou com um combinado clássico, o Abi Dhabi, que se não é surpreendente como o prato anterior, representa com dignidade a culinária árabe.



*Imagens cedidas pelo restaurante BaraQuias.


Pois bem, o BaraQuias surge para mim de forma revigorante e autêntica sem perder os traços e as raízes de sua ascendência, é difícil tratá-lo apenas como uma rede de fast-food e a melhor definição que cheguei é que o BaraQuias é a evolução do fast-food árabe. Os modismos passam e se esgotam, e de repente aos poucos começam a surgir coisas interessantes de onde menos se espera, que não chegam à ditar moldes ou regras, mas que são extremamente superiores àqueles que se dissiparam exaustivamente. Hoje enxergo a culinária árabe de fast-foods de forma bastante positiva graças ao BaraQuias e confesso que por outro lado, não tenho o menor fio de esperança com relação ao funk ostentação, não espero dele algo que modifique os meus preconceitos, o que provavelmente só indica uma coisa, que o tal funk  ostentação fará sucesso por muito tempo, infelizmente.

Nota: 8,8/10

Custo-Benefício: O BaraQuias dá a falsa impressão que será caro. talvez pela sua logomarca imponente. O fato é que é um restaurante barato. O Kibe sai por menos de R$ 10,00, as esfihas também (note que o tamanho da porção é bem mais convidativo que o padrão) e dificilmente um prato ultrapassa a faixa dos R$ 50,00. Pelo o que entrega posso dizer tranquilamente que você sairá satisfeito tanto pela comida quanto pelo valor da conta.  
Sugestão: Vá ao BaraQuias sob qualquer circunstância: para almoçar, jantar ou até mesmo para lanches leves ou para beliscar e experimentar os diversos pratos, será barato e saboroso. Eu mesmo voltarei em breve.