segunda-feira, 7 de novembro de 2016

BaraQuias, o Habibs e o Funk Ostentação - Review n° 3

*Imagens cedidas pelo Restaurante BaraQuias.

Confesso que nunca fui muito adepto à qualquer tipo de modismos e tendências, pelo contrário, costumo me apegar ao mundo underground em vários níveis, sejam eles artísticos e obviamente os culinários.

Um dos movimentos musicais que mais me incomodam atualmente é o funk ostentação, que só pela nomenclatura do sub-gênero já me causa ânsia. Parece que esta rapaziada dos dias modernos esqueceu que os movimentos musicais como o Funk, o Rap e o Hippie-Hop surgiram como instrumentos de contestação e crítica tanto social, econômica como racial e que um dia foram relevantes e causavam impacto. Hoje se adotou uma proposta muito mais ordinária e supérflua, a valorização da materialidade e do sucesso, dos carros caros e das festinhas, enfim é a valorização do inútil.

Houve uma época que, em qualquer lugar do Brasil, surgiu uma rede de fast-food que causou muito impacto na sua chegada e logo entrou para esta onda de modismo a qual me refiro, estou falando do Habibs. A rede foi sucesso instantâneo no fim da década de 90 e pelo que me recordo era difícil conseguir um lugar para sentar na única loja da rede que até hoje existe na Victor Ferreira do Amaral.

Para falar bem a verdade nunca fui fã do Habibs (imagino que ninguém seja fã) mas eventualmente fazia minhas refeições por lá e sinceramente a rede estragou um pouco minha visão sobre culinária árabe. Isto porque, convenhamos, o nível de qualidade é fraco e o grande foco da marca são os preços acessíveis, o que é louvável. Mas mesmo outras redes menores que surgiram à época não traziam nada de interessante, eram a reciclagem do modismo, representavam o fajuto do fajuto.

Outro dia, me deparei novamente com uma rede de cozinha Árabe (menor é claro), o restaurante que conta com 3 unidades em Curitiba, o BaraQuias. Confesso que meu preconceito estabelecido me fez adiar a visita à este restaurante que fica um pouco escondido na praça gourmet do shopping Barigui, mas como sou pró e favorável à derrubar meus próprios preconceitos tolos, chegou o momento do teste.


*Imagens cedidas pelo Restaurante BaraQuias
E como de costume, meus paradigmas foram novamente quebrados. Que belíssimo restaurante é o BaraQuias. Possui um cardápio bastante completo e revigorante. As tradicionais esfihas estão lá sim, mas tenho certeza que o cardápio te surpreenderá positivamente. Pedi de entrada um Kibe com Hortelã e Queijo coberto com nozes e olha que Kibe espetacular, sinceramente não me recordo de ter provado algum tão delicioso como o do BaraQuias.

Nos pratos principais arriscamos, eu e Sra. Guria Boa de Garfo, em duas áreas distintas, fui para o Mignon Azait com arroz de açafrão, fios de legume na manteiga e cobertura de pistache e nozes.  Um prato muito bem feito, bem apresentado e saboroso. A Sra. Guria Boa de Garfo ficou com um combinado clássico, o Abi Dhabi, que se não é surpreendente como o prato anterior, representa com dignidade a culinária árabe.



*Imagens cedidas pelo restaurante BaraQuias.


Pois bem, o BaraQuias surge para mim de forma revigorante e autêntica sem perder os traços e as raízes de sua ascendência, é difícil tratá-lo apenas como uma rede de fast-food e a melhor definição que cheguei é que o BaraQuias é a evolução do fast-food árabe. Os modismos passam e se esgotam, e de repente aos poucos começam a surgir coisas interessantes de onde menos se espera, que não chegam à ditar moldes ou regras, mas que são extremamente superiores àqueles que se dissiparam exaustivamente. Hoje enxergo a culinária árabe de fast-foods de forma bastante positiva graças ao BaraQuias e confesso que por outro lado, não tenho o menor fio de esperança com relação ao funk ostentação, não espero dele algo que modifique os meus preconceitos, o que provavelmente só indica uma coisa, que o tal funk  ostentação fará sucesso por muito tempo, infelizmente.

Nota: 8,8/10

Custo-Benefício: O BaraQuias dá a falsa impressão que será caro. talvez pela sua logomarca imponente. O fato é que é um restaurante barato. O Kibe sai por menos de R$ 10,00, as esfihas também (note que o tamanho da porção é bem mais convidativo que o padrão) e dificilmente um prato ultrapassa a faixa dos R$ 50,00. Pelo o que entrega posso dizer tranquilamente que você sairá satisfeito tanto pela comida quanto pelo valor da conta.  
Sugestão: Vá ao BaraQuias sob qualquer circunstância: para almoçar, jantar ou até mesmo para lanches leves ou para beliscar e experimentar os diversos pratos, será barato e saboroso. Eu mesmo voltarei em breve.

sábado, 5 de novembro de 2016

Restaurante Tuna e o O Brinquedo Assassino - Review n°2

De vez em quando penso sofrer de algum mal relacionado à memória, ou no meu caso, a falta dela. Por exemplo, tentar lembrar de qualquer momento de minha infância é tarefa árdua e argilosa e geralmente se resumem a lembranças recorrentes. 

Uma delas e talvez a mais pavorosa de todas seja um filme muito conhecido por todos nós e grande sucesso nas sessões de cinema da rede Globo, o tal do Chuck o Brinquedo Assassino. Caraca mano, como esse boneco me gerava uma aflição genuína, com aquele olhar arregalado quando, volta e meia, surgia no canto do enquadramento dando risadinha, geralmente com uma faca na mão ou uma motosserra. Chuck foi por muito tempo, um personagem que incomodou minhas noites de sono, já que além de suas 3 versões, as reprises eram intermináveis e incansáveis.

Outra coisa que me incomodava e muito era a Cozinha Japonesa. Isto porque basicamente, quando criança, se tinha algo que me apavorava mais que o Chuck era arroz. Isto mesmo, arroz. Qualquer grão que caísse acidentalmente no meu prato era desculpa para ignorar a refeição e como o arroz é a base da culinária japonesa não é de se estranhar minha aversão à época.

Depois de alguns anos passados, atualmente mais velho (e quanto), sábio, careca e tolerante, resolvi conhecer o Tuna Restaurante ali no Centro Cívico. E que grata surpresa meus caros. 

Para início de conversa o ambiente é moderno e o bar é um espetáculo, tanto em decoração quanto para os amantes de drinks e coquetéis ou no meu caso, dos destilados puros como saquês e uísques. Fui acompanhado da Sra. Guria Boa de Garfo e nos sentamos no fundo do restaurante, que é bem pequeno, deve acomodar 50 pessoas talvez um pouco mais.

O atendimento foi excelente, e pra quem gosta do preparo da comida é possível acompanhar o trabalho dos sushimans de sua mesa. Já sobre a comida, ficamos com o cardápio do festival que rolava naquele dia, escolhi de entrada um Tataki em emulsão de ervas finas e a Sra. Guria ficou com um Ceviche com chips de batata doce e as duas entradas agradaram mas o Ceviche foi um caso à parte, um verdadeiro espetáculo e muito curioso pela influência peruana de temperos num restaurante japonês.

Como prato principal fiquei com o Copa Lombo assado com purê de aboborá cabotiá e azuki que demonstrou ser um prato interessante e diferente, ponto da carne perfeito, mas para quem não é familiarizado tome cuidado com a abobóra cabotiá que tende a ser bastante forte. A Guria Sra. Boa de Garfo ficou com o combinado de sushi e sashimis e sua opinião foi agradável muito embora não ofereça grandes novidades. Em uma visita anterior havíamos provado dois pratos que talvez tenham sido dois dos melhores que já comi na vida: de entrada uma combinação distinta, panceta de porco com polvo, mas simplesmente divino e infelizmente retirado do cardápio e o principal foi um dourado com purê de abacate (salvo algum lapso da minha falha memória) e salada de broto de bambu, que na opinião deste que vos escreve é um dos melhores pratos que você pode degustar na nossa cidade. E para você que gosta de um prato bem montado seu lugar é definitivamente o Tuna, todos os pratos são montados de forma muito elegante. 

Taí, cada vez me parece mais comum, que quanto mais o tempo passa menos eu me assusto com o que costumava me apavorar e não só isso, estas experiências são cada vez mais gratificantes, especialmente se for para encarar um restaurante com nível de excelência tão alto quanto ao do Tuna. Já com relação ao Chuck, prefiro continuar o evitando, mesmo sendo macaco-velho o suficiente para saber que Chucks não existem,  é sempre bom ficar de olhos bem atentos à qualquer brinquedo que funcione sem pilhas. 

Nota: 9,3 / 10

Custo-Benefício: O Tuna não é barato, mas pelo que entrega pode-se dizer que até poderia ser bem mais caro. Uma série de rodízios japoneses não tem um décimo da categoria e provavelmente você gastará menos no Tuna. Sugestão: O Tuna oferece almoços executivos com ótimos preços caso queira apenas conhecer. Eventualmente também participam de festivais com menu completo á preço acessível. Mas este é um restaurante que recomendo sob qualquer hipótese, é um dos melhores de Curitiba. 

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Restaurante Madalosso - O Frango e Polenta mais Universitário da Cidade. - Review n°1

É muito provável que, se é que ainda existe o prêmio Top of Mind, na categoria de casas noturnas a Wood's venceria sem sombras de dúvidas como a balada mais lembrada pelos curitibanos e possivelmente por moradores de várias cidades ao nosso redor.
Engraçado , que por lá a fórmula é sempre a mesma, não há invencionices ou originalidade, alguns mais maldosos até diriam que lá o DJ só toca uma mesma música e mantém apertada a tecla repeat constantemente.

Basicamente funciona assim: tem uma baita fila do lado de fora que pode demorar algumas horas, é bagunçado, é cheio de gente bonita é verdade, o sertanejo da nova geração rolando adoidado, muitas mesas ostentando whiskies e vodkas baratas que neste caso custam um absurdo, muita pegação, gente bêbada e no fim das contas todo mundo se diverte e quase ninguém reclama.

Mas como o que nos convém é culinária e neste caso, o Restaurante Madalosso em Santa Felicidade seria a Wood's gastronômica. Também levaria o prêmio Top of Mind e a fórmula é a mesma desde que me conheço por gente, o rodízio italianíssimo que provavelmente você só encontrará de fato no nosso querido bairro tradicional. Tem polenta frita, frango a passarinho, frango prensado, fígado, aquela saladinha maravilhosa com vinagre tinto e bacon, risoto e as massas tradicionais que são servidas pelos garçons.

Ir almoçar num domingo no Madalosso pode ser tão confuso quanto ir na Wood's sábado à noite. A fila será grande, seu carro ficará estacionado longe do salão principal, terá gente para tudo quanto é lado, os garçons servindo mesas adoidados, muita gente bêbada em decorrência das doses de Alexander, mas a pegação ao menos não é comum e sua conta no fim da refeição será extremamente justa. E tal qual à boate, o consumidor sai do Madalosso extremamente feliz e satisfeito.

Quase tudo muda na vida, o mundo mudou, temos outros hábitos de consumo bem diferentes de 50 anos atrás quando o restaurante iniciou suas atividades, ou até mesmo aqueles de 5 anos, mas às vezes é extraordinário se manter firme às suas raízes, se apegar as fórmulas de sucesso e não alterá-las à qualquer mudança de tendência.

Não tenho dúvidas, que salvo qualquer catástrofe, que um dia, num futuro bem distante sairei de casa domingo de manhã, buscarei meu netinho na saída da Wood's e o levarei para almoçar no velho e sempre bom almoção de domingo do Mada (só pros mais chegados) à base de muito frango e polenta.

Notas: 8,1/10

Custo-Benefício: Uma boa relação entre preço/comida de qualidade, o rodízio é a vontade portanto vale muito a pena se você for bom de garfo. Minha recomendação é ir ao Madalosso em jantares e almoços em grupo ou em família numerosa, acaba saindo barato pra rachar ou mesmo se por azar você se sentar na ponta da mesa.