![]() |
| *Imagens cedidas pelo Restaurante BaraQuias. |
Confesso que nunca fui muito adepto à qualquer tipo de modismos e tendências, pelo contrário, costumo me apegar ao mundo underground em vários níveis, sejam eles artísticos e obviamente os culinários.
Um dos movimentos musicais que mais me incomodam atualmente é o funk ostentação, que só pela nomenclatura do sub-gênero já me causa ânsia. Parece que esta rapaziada dos dias modernos esqueceu que os movimentos musicais como o Funk, o Rap e o Hippie-Hop surgiram como instrumentos de contestação e crítica tanto social, econômica como racial e que um dia foram relevantes e causavam impacto. Hoje se adotou uma proposta muito mais ordinária e supérflua, a valorização da materialidade e do sucesso, dos carros caros e das festinhas, enfim é a valorização do inútil.
Houve uma época que, em qualquer lugar do Brasil, surgiu uma rede de fast-food que causou muito impacto na sua chegada e logo entrou para esta onda de modismo a qual me refiro, estou falando do Habibs. A rede foi sucesso instantâneo no fim da década de 90 e pelo que me recordo era difícil conseguir um lugar para sentar na única loja da rede que até hoje existe na Victor Ferreira do Amaral.
Para falar bem a verdade nunca fui fã do Habibs (imagino que ninguém seja fã) mas eventualmente fazia minhas refeições por lá e sinceramente a rede estragou um pouco minha visão sobre culinária árabe. Isto porque, convenhamos, o nível de qualidade é fraco e o grande foco da marca são os preços acessíveis, o que é louvável. Mas mesmo outras redes menores que surgiram à época não traziam nada de interessante, eram a reciclagem do modismo, representavam o fajuto do fajuto.
Outro dia, me deparei novamente com uma rede de cozinha Árabe (menor é claro), o restaurante que conta com 3 unidades em Curitiba, o BaraQuias. Confesso que meu preconceito estabelecido me fez adiar a visita à este restaurante que fica um pouco escondido na praça gourmet do shopping Barigui, mas como sou pró e favorável à derrubar meus próprios preconceitos tolos, chegou o momento do teste.
![]() |
| *Imagens cedidas pelo Restaurante BaraQuias |
Nos pratos principais arriscamos, eu e Sra. Guria Boa de Garfo, em duas áreas distintas, fui para o Mignon Azait com arroz de açafrão, fios de legume na manteiga e cobertura de pistache e nozes. Um prato muito bem feito, bem apresentado e saboroso. A Sra. Guria Boa de Garfo ficou com um combinado clássico, o Abi Dhabi, que se não é surpreendente como o prato anterior, representa com dignidade a culinária árabe.
![]() |
| *Imagens cedidas pelo restaurante BaraQuias. |
Pois bem, o BaraQuias surge para mim de forma revigorante e autêntica sem perder os traços e as raízes de sua ascendência, é difícil tratá-lo apenas como uma rede de fast-food e a melhor definição que cheguei é que o BaraQuias é a evolução do fast-food árabe. Os modismos passam e se esgotam, e de repente aos poucos começam a surgir coisas interessantes de onde menos se espera, que não chegam à ditar moldes ou regras, mas que são extremamente superiores àqueles que se dissiparam exaustivamente. Hoje enxergo a culinária árabe de fast-foods de forma bastante positiva graças ao BaraQuias e confesso que por outro lado, não tenho o menor fio de esperança com relação ao funk ostentação, não espero dele algo que modifique os meus preconceitos, o que provavelmente só indica uma coisa, que o tal funk ostentação fará sucesso por muito tempo, infelizmente.
Nota: 8,8/10
Custo-Benefício: O BaraQuias dá a falsa impressão que será caro. talvez pela sua logomarca imponente. O fato é que é um restaurante barato. O Kibe sai por menos de R$ 10,00, as esfihas também (note que o tamanho da porção é bem mais convidativo que o padrão) e dificilmente um prato ultrapassa a faixa dos R$ 50,00. Pelo o que entrega posso dizer tranquilamente que você sairá satisfeito tanto pela comida quanto pelo valor da conta.
Sugestão: Vá ao BaraQuias sob qualquer circunstância: para almoçar, jantar ou até mesmo para lanches leves ou para beliscar e experimentar os diversos pratos, será barato e saboroso. Eu mesmo voltarei em breve.



Nenhum comentário:
Postar um comentário