quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Old West Restaurant e uma Singela Homenagem ao Cinema Americano - REVIEW N°6

*Imagens: OLD WEST RESTAURANT


Muito embora já esteja completamente esquecido, o gênero de filmes de faroeste é ainda considerado por muitos críticos e especialistas em cinema como o gênero cinematográfico por excelência. O cinema americano nasceu e se desenvolveu através dele, um gênero que se transformou ao longo dos anos mas que praticamente sucumbiu à reformulação sofrida nos anos 70 em Hollywood. Hoje vivemos de exemplares esporádicos e sazonais como o vencedor do Oscar Onde os Fracos Não Tem Vez e Bravura Indômita dos irmãos Cohen ou dos recentes trabalhos de Tarantino em Django Livre e Os Oito Odiados.

Um pecado especialmente para mim que aprendi a gostar deste gênero tão comumente ligado à falsa ideia de que o Western se resume à troca de tiros desenfreada e personagens "fodalhões" destemidos altamente rápidos no gatilho. Talvez o que faça o Faroeste ser tão encantador são exatamente as grandes discussões acerca de justiça, moralidade e legalidade da ação de seus personagens, além é claro da aridez de seus cenários barrocos e vespertinos. Só para citar alguns exemplos experimente assistir: Consciências Mortas de 1943 com o gigante Henry Fonda, No Tempo Das Diligências e O Homem Que Matou o Facínora ambos do maior diretor do gênero John Ford  e ainda a espetacular Trilogia dos Dólares do italiano Sergio Leone com a presença de Clint Eastwood e por fim, o maior épico de todos os tempos Era Uma Vez No Oeste também do Leone com atuações de Claudia Cardinale e este sim "fodalhaço" Charles Bronson. 


Hall De Entrada
Hoje em Curitiba talvez o único lugar que me trouxe a boa nostalgia da época do Velho Oeste e deste cinema fantástico é o Old West Restaurant no Jardim Botânico e não apenas pelo seu nome. De início de conversa, ao entrar na casa e passar pela portinhola típica dos bares da época, lá está em sua frente o bar com um baita retrato de John Wayne. Para quem nunca ouviu falar nele, saiba que John Wayne foi o maior ator de todos os tempos do Western, o xerifão, o cara que mandava no negócio todo. Confesso, que tive uma vontade quase incontrolável de acender um charuto e dar um soco na mesa do bar e pedir uma dose de Whisky só para me sentir um pouquinho mais macho, mas consegui me conter com louvor. 


O Old West é um restaurante pequeno mas muito bem decorado ao melhor estilo texano, é possível fazer sua refeição no bar inclusive e o som ambiente é sensacional para quem gosta de música country e folk. A recepção de todos os funcionários foi surpreendente e posso dizer sem sombras de dúvidas que é um dos melhores atendimentos que você pode receber em nossa cidade. Toda a equipe do Old West é muito bem preparada, os garçons são muito atenciosos e sempre sorridentes. Vou deixar aqui meus parabéns a eles. Nota:10.

Apesar do Whisky ser a bebida preferida do Western, no Old West Restaurant o que impressiona mesmo é a carta de cervejas. Não à toa o restaurante volta e meia está indicado à melhor cardápio e seleção de cervejas em diversos festivais não só pelo cardápio mas pelo cuidado tanto na apresentação da cerveja e na temperatura perfeita. Minha sugestão fica por conta da Belga Afligem Dubbel que é uma das melhores e mais cremosas e encorpadas cervejas Pilsen que já tomei e talvez para o público feminino recomendo a Inglesa Wells Banana Bread Beer que é uma cerveja fantástica também mas pelo seu teor um pouco mais adocicado vai agradar muito às mulheres. A Sra. Guria Boa De Garfo gostou bastante pelo menos.  

Na hora de comer, o legal do Old West é que você pode optar pelas carnes ou ir para o menu Mexicano. Gostei bastante do Trio Mexicano, muito pela qualidade da Barbacoa mas especialmente pelas tortilhas artesanais preparadas na hora. Já nas carnes tenho certeza que qualquer prato que você pedir será muito bem feito. Meu destaque vai para o Western Brunch Steak que talvez para o nosso paladar seja uma combinação um tanto ousada de Filet sem molho acompanhando de ovos e bacon com uma batata assada. Sim, se você pensou no café da manhã americano é exatamente esta a proposta e o que surpreende é exatamente o fato de ser uma combinação simples, rústica, tradicional mas ao mesmo tempo muito original e criativa, um prato único e que você só encontrará realmente no Old West.

* Western Brunch Steak.


De sobremesa pedi o Old West Dessert, Maça ao creme com nozes, passas e ameixas, um prato muito agradável e uma boa sugestão para quem como eu, gosta de sobremesas mais equilibradas no quesito doçura.

Como nos filmes de faroeste, sempre quando penso em culinária, o principal fator que levo em conta para a avaliação de um restaurante está ligado à questão da justiça. O restaurante entrega aquilo que estou pagando? O Old West não se propõe a ser revolucionário, nem inovador, mas se propõe a oferecer pratos de carne clássicos de altíssima qualidade com preço razoável e por isso o Old West é realmente excelente. Tenho certeza que você concordará comigo quando digo que é sem dúvidas um dos melhores de Curitiba no segmento de carnes À La Carte.

Nota: 9,2/10. 

Custo-Benefício: O Old West trabalha com um preço médio, os pratos individuais custam na faixa dos R$ 50,00 a R$ 60,00 e para 2 pessoas abaixo dos R$ 100,00. Os pratos mexicanos saem abaixo dos R$ 50,00 e são muito vantajosos realmente. Sugestão: Indico o Old West para quem procura por carne de qualidade à um preço bem convidativo e com um atendimento excepcional. Toda segunda-feira tem promoção e os pratos chegam a ter  até 30% de desconto. Então corre e curta um pouco do mundo mítico do Velho Oeste.



Serviço:  

Old West Restaurant
Rua São Januário, 248 - Jardim Botânico
(41) 3262-9794




segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Tiwanaku e a Bolívia de "El Diablo Etcheverry" - Review n° 5

* Imagens cedidas pelo Tiwanaku.


Nestas últimas duas semanas muito dolorosas para todos os brasileiros amantes ou não de futebol, após a tragédia da queda do avião da Chapecoense, é difícil associar a imagem da Bolívia à qualquer outra coisa que não remeta ao acidente que culminou com um dos maiores baques da população brasileira e quiçá mundial dos últimos tempos.

Mas neste momento vou deixar de lado a minha imensa tristeza e comoção com o acidente e tentar lembrar o pouco, muito pouco que minha confessa ignorância me permite associar à este país vizinho do Brasil que em geral é lembrada pelas altas altitudes, o governo conturbado de Evo Morales e a pobreza extrema de sua população.

Infelizmente minha lembrança mais marcante da Bolívia também é relacionada ao futebol. Para quem não sabe, houve um tempo em que a seleção boliviana de futebol não costumava ser o saco de pancadas já costumeiro das últimas 4 ou 5 últimas eliminatórias. Em 1993, o time boliviano era extremamente temido e chegou a vencer o Brasil em La Paz, o que parecia ser inimaginável na época e foi o marco inicial para a maior equipe de futebol da história deste país que disputaria sua única Copa em 1994. E o grande cara daquela seleção era "El Diablo" Etcheverry, o camisa 10, habilidoso, muito raçudo mas que era mais conhecido mesmo pela sua cabeleira mulletizada ao melhor estilo Chitãozinho e Xoxoró.

A cabeleira de Etcheverry fazia muito sucesso especialmente entre as mulheres na década de 1990.

Noves fora esta recordação futebolística e as anteriores que fiz, a última coisa que me lembraria a Bolívia seria de sua culinária. Bem pudera, jamais tive a chance de experimentar algum prato (fora as empanadas de feira) ou conhecer algum local especializado em comida boliviana, em Curitiba ou qualquer outro lugar do Brasil. É não é que agora isto é possível, no Tiwanaku no Alto da XV.

Não que o Tiwanaku só sirva comida boliviana, não, seu conceito abrange aspectos da cultura inca que engloba também bastante do Peru e da Venezuela, mas seu nome é inspirado no sítio arqueológico localizado próximo ao lago Titicaca.  

O Tiwanaku é um bar/restaurante cheio de referências da cultura inca em seu ambiente com esculturas, fotos e as mais diversas obras de artesanato local. O grande destaque é seu cardápio de bebidas, diversos chopes com a vantagem de serem servidos em bela tulipa de 550 ml, coisa bastante rara nos bares curitibanos pela quantidade, ótimos drinks especialmente à base de rum e pisco à preços bem acessíveis.

Vale a pena experimentar o chope servido no Tiwanaku. Na boa, eu sugiro todos eles se você for um bebum como eu.

O cardápio de petiscos é incrivelmente barato. Comi alguns pratos típicos como a empanada de carne tradicional,  depois o ceviche que era muito saboroso mas peca pelo excesso de acidez do limão, creio que se for melhor equilibrado será um dos melhores ceviches da cidade. Depois passei pelo bolo de carne com 2 queijos e especiarias e por fim a Cachapa de Doce de Leite que é um prato típico venezuelano, uma espécie de massa de panqueca com recheio tanto doce como salgada também e este foi o petisco mais interessante da noite. 




Pois bem, eis que surge uma boa opção para se curtir um pouco de uma cultura e etnia tão diferente e atípica da nossa apesar da proximidade geográfica, mas o mais importante com uma comida agradável, excelente atendimento e um ótimo chope em Curitiba. Eu posso dizer que encontrei um bom restaurante boliviano na cidade. Aguardo ansioso para encontrar também bom futebol na seleção boliviana nos próximos anos mas confesso que isto já me parece um pouco improvável de acontecer. 

Nota: 7,9/10. 


Custo-Benefício: O Tiwanaku é bem barato para quem gosta de petiscar ou para quem gosta de um boa bebida também. Os petiscos e hambúrgueres variam de R$ 7,50 à R$ 25,00. Já as cervejas saem a partir de R$ 10,00 por um copo de 550 ml que é um preço bem convidativo. Sugestão: Fique atento à pagina do Tiwanaku no Facebook afinal de contas eles gostam mesmo é de fazer promoção. Já eu, gosto de mesmo é de aproveitá-las.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Do Peruano Café e Bistrô - Um Restaurante do Peru! - Review n° 4

Imagem cedidas por Do Peruano Café e Bistrô


Você provavelmente já ouviu esta frase muitas vezes na vida: " Não vá ao mercado com fome". Muitos se apegam ao mito de que com fome, sua tendência à gastos desnecessários aumenta, os desejos se afloram e acaba-se gastando exorbitâncias em produtos supérfluos. 

Minha primeira experiência com esta frase ainda reside nos confins distantes da minha infância. Naquela época ir ao mercado passava longe de ser uma experiência rotineira, pelo contrário, estava mais para um evento. Me refiro aos dias de alta inflação no início da década de 90 em que a excursão mensal ao mercado era automaticamente programada no dia do pagamento salarial, já que no outro dia era provável que os mesmos produtos custassem absurdamente mais caro.

A primeira coisa que se fazia antes de sair de casa, antes mesmo de se arrumar, era a refeição. Meu discernimento na época não me permite dizer se minha família era pobre ou não, mas o fato é que minha mãe costumava cozinhar as guloseimas que eu mais gostava exatamente neste dia, já se prevenindo de sustos no momento de enfrentar a fila do caixa.

Mesmo com este cenário tendo mudado bastante,  a velha máxima do "Não vá ao mercado com fome" se mantém atual e eu diria necessária em tempos de crise. Todavia, hoje me deparei com uma restaurante que talvez consiga derrubar este mito. Estou falando do restaurante Do Peruano, um pequeno mas bem aconchegante local que fica no subsolo do Muffato da Victor Ferreira do Amaral. 

O Do Peruano, comandado pelo chef peruano Fernando e pela chef brasileira Ilza, tem uma proposta simples mas que me agrada bastante, traz um pedacinho da culinária peruana, com vários traços da culinária brasileira e o melhor de tudo, à preços bem acessíveis, até porque quando se fala em cozinha étnica não é tão comum se deparar com preços justos.


Para começar sugiro o Pisco Sour, que salvo algum engano da minha parte, é a bebida mais famosa do Peru, traçando um comparativo com o Brasil seria a nossa caipirinha, um drinque quase obrigatório em muitos restaurantes de Lima e Cuzco e que na minha opinião é até mais agradável e leve que a caipirinha.

De entrada o Cebiche de Peixe é sempre bem vindo, e na minha primeira visita ao Do Peruano foi o meu prato preferido, mas hoje resolvi ir para uma outra linha. Optei pelo Lomo Saltado, que  são tiras de carne refogada com tomate, cebola e batatas, um prato bem comum nos restaurantes peruanos. Já a Guria Boa De Garfo ficou com um Talharim Verde com Bife Apanado de Quinoa (aliás a quinoa é muito comum também na culinária andina). Os dois pratos muito agradáveis, mas o meu destaque ficou com o bife apanado de quinoa, muito bem temperado e a quinoa reserva um toque especial à este prato.






Pois bem, eis que surge um restaurante para derrubar um mito que me acompanhou durante muito tempo de minha vida. Sim, é possível ir ao mercado com fome, com muita fome inclusive e gastar muito pouco. Simples basta fazer um pit-stop no Do Peruano e depois seguir em direção às suas compras sem medo. Posso inclusive, tranquilamente me apropriar de outra frase do passado e dizer que o Do Peruano é um restaurante do Peru!


Nota: 8,6 /10

Custo Benefício: O Do Peruano é baratíssimo. Todos os restaurantes peruanos que visitei tanto no Brasil ou mesmo no Peru eram caríssimos. Um prato Do Peruano sai na faixa de R$ 30,00 Sugestão: o restaurante oferece aos sábados e eventualmente nos domingos um Menu Degustação com 5 pratos e com preço excelente. 

O Do Peruano está inaugurando uma segunda unidade na Av. Marechal Humberto Castelo Branco, 675 no Cristo Rei. Em breve voltarei ao Do Peruano para conferir a nova unidade.